PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DO BRASIL até o séc. XX
Mario Ramos Neto
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A industrialização, ainda que tardia e dependente, começa a criar um sistema econômico mais integrado e dinamiza o mercado interno. Furtado destaca ainda que esse processo ocorre em meio a fortes desigualdades regionais e sociais, além de uma dependência externa que limita a autonomia econômica brasileira. Furtado, também destaca a importância das lutas sociais, das reformulações políticas e da necessidade de políticas econômicas nacionais para superar os obstáculos ao desenvolvimento pleno do país. Ele resgata assim a formação econômica do Brasil como um processo histórico complexo, marcado por contradições entre o atraso estrutural do colonialismo e as tentativas de modernização e integração econômica nacional.
De modo que assim, o desenvolvimento socioeconômico brasileiro, do século XV ao XXI, segundo Furtado, é um processo de construção de uma economia nacional enfrentando legados coloniais, pressões externas, desigualdades internas e desafios para a industrialização e modernização econômica.
A hipótese dos "Sistemas de Conversibilidade" desenvolvida por Furtado explica que o grande capital financeiro nacional exportador fazia uma compensação econômica para a manutenção da economia interna do país[1]. Furtado também mostra que havia uma lógica em que o capital exportador compensava o desequilíbrio da economia ao financiar o crescimento do mercado interno, permitindo que a economia nacional se mantivesse funcionando apesar da dependência externa e das desigualdades estruturais. Esse processo funcionava como um sistema de regulação econômica que viabilizava a continuidade da acumulação e da modernização econômica dentro das limitações impostas pela dependência externa e pelo perfil primário-exportador da economia.
Assim, o sistema de conversibilidade revela um mecanismo pelo qual o capital financeiro-exportador contribuía para a sustentação e a reprodução da economia interna brasileira, ao compensar as necessidades e desequilíbrios do mercado nacional, de modo que essa integração favorecia a manutenção do processo econômico durante o desenvolvimento da industrialização
QUESTÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO NACIONAL
O processo de desenvolvimento sócio econômico que se deu do séc. XV ao XXI, segundo; Furtado que divide esse processo em duas grandes fases: a) economia colonial/exportadora e a economia nacional/mercado interno. Na primeira fase, que cobre o período colonial, a economia do Brasil foi estruturada como primário-exportadora, dependente das demandas e mercados externos, o que acentuou um subdesenvolvimento estrutural. Esse modelo é caracterizado pela exploração de recursos naturais e ciclos econômicos baseados em produtos como açúcar, mineração e café, além do uso intensivo de trabalho escravo. Num segundo momento inicia-se a formação de um mercado interno e a busca por um desenvolvimento econômico autossustentado. Observação especial para o caso do estado da Bahia que tem-se crescimento factual pelo emprego da mão-de-obra vinda das regiões produtoras de açúcar[M1] estar ociosas. Neste período na Bahia segundo Furtado; tem sua economia modificada pelo advento do cacau[2]; b) Como demos prioridade em manter a balança comercial externa – dando exclusividade nas relações de dependência internacional diga se de passagem que os acordos[3] firmados com a coroa britânica não favoreceram o desenvolvimento do Brasil, pais, e isso se dá de início como uma vontade de Portugal em manter sua colônia subjugada por mais tempo mesmo tendo simulado uma “independência”[4] – Processo esse em que foi de início incentivado por toda a comunidade internacional.
A hipótese de compensação de Furtado sinaliza o potencial de compensar desequilíbrios sociais gerados pela industrialização tardia, mas evidencia o fracasso dessa compensação em contextos de dependência estruturada. A teoria da dependência explica como a subordinação econômica condiciona a industrialização e mantém formas de exploração e desigualdade. Conceição Tavares aprofunda essa análise, destacando o papel do poder financeiro e do controle monetário internacional na limitação estrutural do desenvolvimento autônomo e na manutenção da exploração das classes trabalhadoras na periferia do capitalismo. Assim, na análise integrada de Conceição Tavares, a hipótese de compensação de Furtado e as teorias da dependência revelam a desigualdade e a exploração históricas do modelo de industrialização periférico, aprofundadas pela dinâmica de hegemonia financeira global que limita o desenvolvimento inclusivo.
A análise da balança comercial brasileira entre 1930 e 2002, associada ao sistema de compensação desenvolvido por Celso Furtado e sua relação com as dinâmicas sociais da época, envolve uma perspectiva que integra economia e sociologia.
A balança comercial, tradicionalmente dependente de exportações de produtos primários, como café e minerais, refletia a tentativa de transição para um modelo mais industrializado, com a substituição de importações, buscando reduzir dependência externa. Até as décadas de 1980 e 1990, a balança comercial sofreu oscilações por conta dos ciclos internacionais, políticas internas de abertura e fechamento comercial, crises e estabilizações econômicas.
Referências:
FRTADO, CELSO. FORMAÇÃO ECONOMICA DO BRASIL, 2005, 35° ED, Companhia Editora Nacional
SZMRECSÁNYI, TAMÁS, Celso Furtado e o início da industrialização no Brasil,Articles • •
CONCEIÇÃO, MARRIA. TAVARES, Pensamento Econômico no Brasil Contemporâneo II • •
[1] Esse sistema consistia em que os lucros e recursos gerados pelas atividades de exportação financeira e agroexportadora eram, de certa forma, convertidos e reinvestidos para sustentar e dinamizar o mercado interno brasileiro, promovendo a industrialização e o desenvolvimento de setores produtivos internos.
[2] “O cacau, cujas exportações evoluíram muito favoravelmente - incremento de 259 por cento na quantidade e aumento de 119 por cento nos preços - veio a constituir o núcleo de um sistema econômico autônomo - na região sul da Bahia - destacado geograficamente da economia nordestina preexistente.
[3] 1642, 1654, 1661, 1703, 1827, 1830, 1842, 1844.
[4] “A forma peculiar como se processou a independência da América Portuguesa teve consequências fundamentais no seu subsequente desenvolvimento, transferindo-se a independência da colônia sem descontinuidade na chefia do governo, os privilégios econômicos de que se beneficiava a Inglaterra em Portugal passaram automaticamente para o Brasil independente com efeito, se bem hora, conseguindo separar-se de Portugal em 1822, o Brasil necessitou vários decênios mais para eliminar a tutela que graças a sólidos acordos internacionais, mantinha sobre ele a Inglaterra”.
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